Bem pessoal eu não sei falar de algo sem antes contextualiza-lo, então vamos embarcar nesta história pois ela é muito rica e interessante!
Os tapetes Persas são uma das manifestações mais características da cultura e arte persa e remontam a antiga Pérsia, hoje Irã.
Antigamente os tapetes Persas tinham sua origem entre as tribos nômades e serviam para proteger do vigoroso frio do inverno. Feitos com cores vibrantes utilizando corantes naturais específicos e com motivos (desenhos) variados os quais eram manifestações de suas expressões artísticas. Há evidências encontradas em manuscritos que alguns tapetes datam para além do século V A.C.
Para suas confecções eles, basicamente, utilizavam algodão, seda e lã. Nas cores são utilizadas tintas naturais, as quais se destacam o vermelho (encontrado na raiz da rúbia), amarelo (nas folhas de videira e açafrão), azul (na folha do índigo), cinza e marrom (da própria lã da ovelha), e preto (de fungos). Em certos tapetes é possível que a tinta natural se altere, essa mudança se chama “abrush” e é a prova de que o tapete foi tingido com tintas vegetais.
Um dos tapetes mais antigos, ainda existente, possui mais 2.500 anos e é encontrado cobrindo um túmulo de um príncipe na Eurásia
Os tapetes Persas eram adorados por reis e nobres, os quais os exibiam em seus castelos, palácios e residências abastadas e até em cerimônias religiosas e rituais fúnebres. Era comum, por serem muito caros e adorados, eles adornarem paredes, colocarem sob as mesas e não era incomum eles possuírem tapetes de outras regiões de origem além de sua própria como uma demonstração de adoração e respeito por outras culturas.
Há uma variedade muito grande de padronagens nos tapetes Persas, os desenhos são os mais variados e refletiam a região e/ou local onde eram manufaturados e seus motivos eram de videiras, folhas, palmeiras, animais diversos, figuras humanas, soldados, etc.…
Há um grupo de desenhos que são muito comuns e que são consumidos no mercado iraniano de gosto mais oriental e que não são tão comuns nos tapetes que são exportados para o ocidente.
Os tapetes do Oriente só foram chegar na Europa após o século XIII. Até então o mundo Oriental ainda era muito fechado.
Sob um tear inicia-se uma sequência de nós entrelaçando e formando uma trama. Em média um tapete de 2 metros de altura por 1,5 metros de largura levará 2 mil e quinhentas horas de trabalho para ser concluídas e muitos milhares de nós. Os membros das famílias iniciam muito cedo na arte de tear e por isso se fala de mãos de crianças tecendo, mas na verdade os adultos também tecem, mas culturalmente era normal crianças aprenderem esta profissão para contribuir com a renda da família. O fato é que quanto menor e mais apertado for o nó maior será seu valor!
Os tecelões iniciam uma série de nós assimétricos, chamados de nó persa ou senneh. Por mais incrível que pareça, além da qualidade e beleza os tapetes persas possuem como característica impar as quais distinguem a sua autenticidade são as suas imperfeições nos tapetes, propositais ou não, as imperfeições caracterizam a sua exclusividade e por conta disso conta-se que um tapete jamais será igual a outro.
As duas guerras mundiais causaram um declínio para os tapetes persa entre 1900 e 1950 pois começaram a utilizar a anilina e o cromo como corante, materiais que comprometeram a qualidade. Mas a dinastia Pahlavi ( lembram do Xá Reza Pahlavi e sua Farah Diba?, esta história é interessantíssima, mas terá que ficar para outro texto) é que tomaram uma série de medidas para elevar e renovar a qualidade dos tapetes persa.
O Xá Reza Pahlavi foi substituído pela República Islâmica do Aiatolá Khomeini iniciando a era dos Aiatolás. Com a revolução islâmica a produção de tapetes persas cai vertiginosamente pois os aiatolás consideravam os tapetes um patrimônio do “tesouro nacional” e proibiram suas exportações voltando apenas a serem exportados após a guerra de Irã e Iraque na década de 80.
Ora falamos em Persa e ora falamos em Irã, na verdade o que chamamos de Império Persa era uma região compreendida por várias regiões as quais foram conquistadas através de muitas guerras ao longo dos tempos. O império persa chegou a ter como territórios o Irã, Iraque, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egito, Turquia, Kuwait, Afeganistão, parte do Paquistão, parte da Grécia e da Líbia. O império persa foi um dos 20 maiores impérios da humanidade e destes 20 o mais antigo.
Alguns tapetes persas antigos eram utilizados fios de ouro e prata em suas confecções. A nomenclatura dos tapetes se dava em função das tribos nômades que confeccionavam e de suas regiões; assim temos o Tabriz, Kashan, Isfahan, Qom, Gabbeh, Bakhtiari, Kirman, Yazd, kilim, entre outros, mas foi no Irã o berço da arte e cultura dos tapetes.
Tapetes das cidades de Isfahan, Kashan, Mashhad e Tabriz são considerados por alguns como os melhores do mundo.
O luxo, a que se associam os tapetes persas, forma um surpreendente contraste com sua modesta origem, as quais iniciaram entre as humildes tribos nômades da Pérsia.
Contrastes e luxos a parte, hoje você pode admirar e contemplar alguns belos exemplares na loja Essenza casa e Jardim ou ainda visitar o museu do tapete em Teerã, capital do Irã.





